terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Eu pedi um amor, por Celamar Maione

Celamar Maione (*)



Nas noites solitárias,
Um dia, pedi um amor aos anjos
Um amor que ao mesmo tempo fosse homem
E também menino
Para podermos rir juntos de vez em quando.
Virar adolescente,
Corar o rosto,
Sentir vergonha
E rejuvenescer por fora e por dentro!
Eu pedi um amor aos anjos
Não precisa ser perfeito, perfeição não existe
Os seres que se dizem perfeitos são muito chatos,
Até mesmo monótonos.
E como eu não sou perfeita,
Não vou exigir perfeição do meu amor.
Eu pedi um amor aos anjos
Tranqüilo, sereno, inteligente
Sensível o suficiente para me entender,
Mesmo que muitas vezes eu não o entenda.
Mas entre um desentendimento e outro,
Nós seguiremos no doce sabor de um amor.
Eu pedi um amor aos anjos
Nada de água parada
As águas paradas não se renovam
E ele, assim como eu, também precisa se renovar,
Crescer, ficar sozinho para poder se conhecer melhor.
Eu pedi um amor aos anjos
Para poder acariciar,
Deixar sozinho quando precisar
E ajudar quando quisesse meu ombro amigo
Eu pedi um amor aos anjos
Que de vez em quando me fizesse sair do sério.
Me enlouquecesse de tesão
Só com seu toque carinhoso
Eu pedi um amor aos anjos
Que pudesse tirar de mim
Tudo o que tenho de bom
Os sonhos mais loucos
O sorriso mais puro
Eu pedi um amor aos anjos
Que não me deixasse constrangida ao pedir perdão
Assim eu ficaria mais á vontade para ser eu mesma
Em pleno flagrante de amor.
Eu pedi um amor aos anjos
Que explodisse de vez em quando,
Assim ele também saberia entender
Os meus momentos de explosão.
Eu pedi um amor aos anjos
Mas se ele não chegar antes da minha partida
Nesta louca estrada da vida
Faça ao menos, que pelo menos,
Eu cruze com ele no meu caminho,
Um instante que seja.
Eu juro meu anjo, vou saber reconhecer!! Mesmo que ele não me reconheça!!
E agradecer por ele existir!!

(*) Radialista e jornalista, trabalhou como produtora, repórter e redatora nas Rádios Fm O DIA, Tropical e Rádio Globo. Atualmente, é Produtora-Executiva da Rádio Tupi. Lecionou, recentemente, Telemarketing, atendimento ao público e comportamento do Operador , mas sua paixão é escrever, notadamente poesias e contos.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Convivência com a dor, por Pedro J. Bondaczuk

Pedro J. Bondaczuk (*)



A dor é um mecanismo de alerta de que a natureza nos dotou para avisar que algo não está bem em nosso organismo. É, portanto, sintoma e não a própria doença. Além do que, muitas vezes, é subjetiva. Se uma pessoa, por exemplo, se queixa que alguma parte (ou várias) do seu corpo está doendo, não há como confirmar, ou desmentir. Ninguém pode afirmar, categoricamente, que esteja dizendo a verdade ou mentindo. Isso, mesmo que os mais acurados exames médicos comprovem que ela está absolutamente saudável, com “saúde para dar e vender”, como se diz amiúde.

A farmacologia desenvolveu vasta gama de medicamentos – alguns, com gravíssimos efeitos colaterais, daí ser tremenda imprudência, senão rematada e perigosíssima burrice, a auto-medicação, tão comum, mundo afora – para aplacar a dor. Os especialistas na matéria, porém, sabem, de sobejo, que não deve ser ela a ser combatida, mas o que a causa. Nem sempre, porém, isso é possível. Há doenças que ainda são incuráveis (pelo menos em estágios mais avançados). Nestes casos, é até questão humanitária o alívio, posto que momentâneo, do sofrimento.

Nem só os doentes, porém, têm que conviver freqüentemente com a dor. O oposto, ou seja, as pessoas com saúde invejável, que se destacam da maioria por seus privilegiados dotes físicos, com musculatura, ossatura e metabolismo perfeitos, também são forçadas a essa incômoda convivência. E como!

Refiro-me, especificamente, aos atletas e, mais particularmente, àqueles classificados como de “alto rendimento”, que superam recordes e mais recordes em pistas, quadras, campos e piscinas e conquistam títulos e mais títulos, inúmeras medalhas de ouro em suas respectivas modalidades (coletivas ou individuais, não importa) em competições de ponta como Olimpíadas e Campeonatos Mundiais. São os que ampliam os limites físicos do ser humano, pela força, resistência, velocidade e/ou impulsão que têm, muito além do que é tido como “normal”.

Estes têm sempre uma certeza: para chegar onde pretendem, vão conviver, pelo tempo em que durarem suas carreiras esportivas, com a dor. E não me refiro, apenas, às freqüentes lesões musculares, de articulação, ósseas, dos joelhos, das coxas, da virilha, da coluna etc. causadas ora pelo esforço repetitivo dos intermináveis treinamentos, ora por traumatismos de diversas causas, intensidades e naturezas.

A vida de um atleta de ponta nunca é fácil. Ademais, ele jamais tem a garantia de que seu empenho, sua autodisciplina, sua força de vontade e tantas outras virtudes que caracterizam campeões, serão suficientes para alcançar o tão almejado sucesso. Seus adversários são do mesmo nível, têm os mesmíssimos objetivos e as mesmas cargas de treinamentos e podem mostrar essas mesmas características em grau muito maior e, dessa forma, superá-los.

Em qualquer competição, seja de que natureza for, haverá, seguramente, um, e apenas um, vencedor. E este pode não ser você, caso seja o atleta de alto rendimento a que me refiro, a despeito de todo o sacrifício – não raro sobre-humano – a que se submeteu, das privações pelas quais teve que passar, dos investimentos, sacrifícios e, sobretudo, dores que teve que fazer e suportar.

Quando o “fracasso” sobrevém – e, no seu caso, é representado, não raro, pelo segundo lugar, pela honrosa e valiosa medalha de prata – lá vai ele para novos e mais duros ainda treinamentos. Toca a se submeter a rigorosíssimas dietas, a forçar os músculos muito além do que já forçou, a correr mais veloz, a saltar mais alto ou mais distante, a nadar mais rápido, a levantar maior peso etc. para superar seus limites que, a rigor, nunca sabe quais são. Toca repetir, repetir e repetir movimentos, cada vez com maior intensidade, tendo como resultado, com certeza, imensas dores. Mas, se quiser vencer, tem que, não somente as ignorar, como se acostumar a elas, suportá-las, se possível ignorá-las, numa perpétua, mesmo que (claro) incômoda, convivência.

O artista de alto rendimento – o que faz arte não por mero diletantismo, ocasionalmente, mas como missão de vida – tem realidade muito parecida com a dos atletas com potencial de campeões. Precisa, também, aprender a conviver com a dor (posto que não necessariamente a física e, portanto, mais difícil de ser suportada). A disciplina a que tem que se submeter é, guardadas as devidas proporções, tão rígida e constante quanto a do atleta. Aliás, maior até do que a dele, pois não terá a mera duração de uma carreira, como é o caso do esportista, mas dura a vida toda.

O artista de alto rendimento, por exemplo, não tem a prerrogativa de fugir de lembranças amargas e dolorosas, de sentimentos caóticos e contraditórios e de idéias polêmicas e, por isso, incômodas, quando não perigosas, como os “mortais comuns”. Longe disso. Compete-lhe, isso sim, fazer de tudo o que o judia, oprime, machuca e às vezes desnorteia, matéria-prima para a geração do oposto de tudo isso. Ou seja, de beleza, de poesia, de ternura, de otimismo e... de transcendência. Exagero meu? Longe disso! Quem é artista de alto rendimento sabe muito bem a que me refiro.

(*) Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções, foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance Fatal” (contos) e “Cronos & Narciso” (crônicas), com lançamentos previstos para os próximos dois meses. Blog “O Escrevinhador” – http://pedrobondaczuk.blogspot.com

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Podactilos..., por Urânia Munzanzu

Urânia Munzanzu (*)



Coisa boa para uma fêmea é ter um homem que adora pés!

Encanta-me um amante, dos podactílos ... Gosto de ter com ele este segredo! Adoro o olhar desconcertante a fuzilar minhas sandálias novas caminhantes pela praça em pleno verão...

No fundo sei que ele observa o conteúdo das sandálias. Adoro a sensação dele olhar meus pés com o desejo de quem encontrou aquela última cerveja no congelador, depois de um dia de labuta....Gosto do encontro com os amigos, e meus pés no colo dele. E, enquanto algum desavisado acredita ser esta uma atitude despretensiosa da minha parte... Ele morre de vergonha do seu ponteiro em riste dentro da calça.

Ah! Eu visito o paraíso se ele beija meus pés! Gosto do gostar dele. Excita-me saber que meus pés no painel do carro, enquanto ele dirige, é proibido, para o bem do bom trânsito.

Mas, quando em casa, sua saliva vai molhar meus pés, e ele só vai parar quando eu chorar, de prazer! Adoro que ele escolha a cor do meu esmalte, só pra depois descobrir o sabor que há entre meus dedos...

Gosto de estar a sós com ele; é quando posso derramar, sem querer, a última taça, daquele vinho preferido e permitir, só de gentileza, que ele saboreie as últimas gotas no meu calcanhar... Gosto das massagens que começam por brincadeira, e acabam tirando de mim aqueles gemidos que os vizinhos não podem escutar...

Gosto quando ele nem nota as barbeiragens que faço, só porque dirijo descalça. Gosto muito, muito, muito, quando ele insiste em me agradar, e de agrado em agrado, na intimidade da cama, ele começa a me dar prazer, pelos pés!

(*) Jornalista e poeta

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Uma nova descoberta, por Luís Delcides R. Silva

Luís Delcides R. Silva (*)



Caminhada, expectativa, um pouco de ansiedade. No caminho para a terapia, estava mal, com dúvidas e minha cabeça a "mil". Ao chegar, pude falar, expor o que incomodava.

Saí, voltei a pé, reparando todos aqueles prédios lindos das Perdizes. Esse é um bairro que considero sedutor em São Paulo. Suas ruas, árvores, casas. Algumas mulheres lindas eu vejo passar por lá. Nossa, como amo esse lugar! Tive a experiência de dormir em uma residência de lá e sentir um cheiro maravilhoso, ao lado de uma ótima companhia.

Um sol maravilhoso batia na janela. Algo me significou naquele momento, estava ao lado de uma pessoa maravilhosa, companheira, amiga, solicita. Eu pude olhar bem e contemplar aquele momento tão especial na minha vida.

Logo, pensei, comecei a tocar e acariciar o corpo. Percebi alguns pontos sensíveis que comecei a descobrir, estava massageando, tocando, era um momento único. Mas, logo, veio algo que fiz questão de lembrar que tínhamos um compromisso como pessoas, como amigos. Logo, parei, imediatamente levantei, saí e fiquei quietinho na sala de estar.

Cinco dias depois, conversei com uma amiga e confidente. Refleti e pensei. Ao conversar na sexta-feira à noite com a companheira bela e maravilhosa, eu fiquei triste por ela dizer que está flertando com um cara que é 17 anos mais novo que ela. Estava mal, muito mal!

Conversamos, ela se desculpou e insistia na declaração: "Você é meu "amigo-irmão"! Mas como sou irmão se ela insiste em me provocar e me atiçar?

Durante a madrugada, pensei, refleti sobre a conversa que tive. Acordei, lavei o rosto e fui ajudar os pedreiros a arrumar o escritório. Ao ligar o computador, comecei a redigir um e-mail e questionar algumas coisas. Pude me abrir e colocar algumas vontades e desejos que tenho e foram reprimidos em nome de uma amizade.

A melhor resposta que aprendi nesse período que passo é: “acabe com o sofrimento do seu corpo”. É o meu desejo!

(*) Estudante de jornalismo, micro-empresário e escreve para o blog Casos Urbanos www.luisdelcidess.blogspot.com

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A culpa, por Rodrigo Ramazzini

Rodrigo Ramazzini (*)



- Bah! Essa pescaria veio na hora certa. Estava precisando dar uma espairecida. A mulher só me torrando a paciência em casa. Não agüentava mais...
- Capaz! Mas por quê?
- Não te contei?
- Não!
- Vou te contar a história então. Foi sábado passado. Eu estava sozinho em casa. A Cleuza tinha ido a um instituto de beleza. Olhava um jogo na Sky, Real Madrid contra... Contra... Não lembro o adversário. Enfim, um jogão! Foi quando escutei um barulho de algo cair ao chão e se despedaçar...
- Ué! O que era?
- Calma! Vou chegar lá. Aí eu escutei o tal barulho e corri na cozinha. Chegando lá, encontrei no chão, em caquinhos, um vaso da Cleuza. Ou ex-vaso, né? Herança de família, mas nada de valor. Sabe dessas coisas que mulher se agarra sem explicação?
- Sei!
- Pois é! Era a Cleuza e o tal vaso...
- Mas quebrou muito? Não dava para colar?
- Mas que jeito! O troço se despedaçou de uma maneira, mas de uma maneira, que eu iria passar um ano e não ia conseguir juntar as partes...
- Capaz?
- Arãn!
- Tá! Mas como ele caiu?
- Rapaz! Não é que foi a praga do cachorro. Um passarinho entrou na cozinha por uma janela que estava aberta e não conseguia sair. O cachorro enlouqueceu tentando pegar o bicho. Pulou pra cá, pulou pra lá e bateu na mesa de jantar, onde estava o tal do vaso, aí se deu o estrago...
- Aquele teu cachorro branco?
- Arãn!
- Tá! Só não entendi uma coisa ainda: por que a tua mulher está braba contigo se foi o cachorro?
- Calma! Vou chegar lá...
- Continua então!
- Bom! Como eu não tinha mais nada a fazer, apenas limpei os “restos mortais” do vaso do chão e esperei a Cleuza chegar...
- Que ficou uma fera?
- Mais que isso! Mais do que isso!
- E aí?
- Aí ela chegou, conversou um pouco, coisa e tal e foi na cozinha. Só ouvi um grito! E veio bufando de lá...
- E aí?
- Bah! Me encheu de perguntas: “como tinha quebrado?” “Quem tinha quebrado?” E coisa e tal...
- E tu?
- Eu assumi o estrago! Disse que tinha batido na mesa, tentando tirar o tal passarinho... Contei uma estória.
- Ué! Mas tu estás ficando louco, homem? Por que tu fizeste isto? Por que assumiste a culpa?
- Pois é, meu amigo... Talvez movido pelo remorso! Ou melhor... Eu penso que fiz uma retribuição a um amigo! Essa é a definição certa. O que é um vasinho? Outro dia mesmo, eu rasguei uma almofada da Cleuza com as unhas dos pés... E... E o cachorro assumiu a culpa...

(*) Jornalista e cronista

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Notícias do coração, por Fábio de Lima

Fábio de Lima (*)



Sentei no sofá, de frente para a TV. Ela estava desligada. Fiquei olhando para aquela tela escura por quase quinze minutos. Na verdade, fiquei parado diante da TV, desligada, por quase duas horas, mas sinto até vergonha em dizer isso. Parecia coisa de louco. Mas não era. Aquilo era amor. Eu amava Marina e saber do casamento dela foi um choque para mim. Eu sabia que ela casaria um dia. Eu sabia que não seria comigo. Mas entre imaginar e deparar com a realidade existia uma distância grande.

Levantei do sofá e senti o rosto grudento das lágrimas que escorreram e secaram. Subi para o quarto e deitei na cama. Olhei para o teto até adormecer. Só acordei no outro dia, às 8h00 da manhã. Meu corpo estava dolorido. Até parecia que eu havia levado uma surra. Pensei em Marina, assim que levantei, e também durante todo o restante do dia, enquanto pisava sobre meus calcanhares pelas ruas paulistanas.

Voltei para casa somente à noite e sentei novamente na frente da TV. Mais uma ou duas horas olhando aquela tela escura. Não sei. Acordei no outro dia e percebi que havia dormido no sofá mesmo. Tomei um banho em silêncio, me troquei e fui embora para mais um dia de devaneios. O sol já ardia a pele quando sai de casa. Senti o suor escorrer tímido pela testa. Senti a dor andando comigo lado a lado.

Foi assim que envelheci um ano em um mês. Foi assim que envelheci seis anos em seis meses. Foi assim que envelheci doze anos em um ano. Os amigos falavam que eu estava magro demais, chato demais, melancólico demais. Eu não sei como estava – só sei que sentia a falta de Marina e isso doía muito. O tempo passou e eu vivi minha vida. O calendário nasceu e morreu por mais de vinte invernos. Na semana passada o telefone tocou e uma voz conhecida falou comigo.

Marina se separou faz oito meses. Ela ligou para saber como eu estava. Disse que estava com saudades de conversar comigo. Disse que tem visto meus livros nas livrarias de todo o País e nas mãos das pessoas. Falou ter gostado muito do meu último livro. Disse que minha literatura amadureceu e que depois que se começa a ler um livro meu, só se pára na última página. Sorri ao telefone e fingi acreditar em tudo que ela me disse.

No último final de semana eu sentei no sofá e liguei a TV. Lá estava passando um desenho do Tom & Jerry. Fiquei dez minutos dando risadas e me sentindo muito feliz por fazer coisas tão simples e sentir prazer com elas. Tenho pensando muito sobre as coisas do coração e espero que Marina encontre o seu caminho. O meu sei que não é ao seu lado e sigo bem sozinho, mesmo que meu coração ainda teime em saber notícias.

(*) Jornalista e escritor, ou “contador de histórias”, como prefere ser chamado. Está escrevendo seu primeiro romance, DOCE DESESPERO, com publicação (ainda!) em data incerta.

domingo, 16 de novembro de 2008

Guerreiro da luz, por Eduardo Oliveira Freire

Eduardo Oliveira Freire (*)



– Filho, você está em pecado, irei, salvá-lo.

Essa garota não presta, é uma perdida. Filho, escuta a palavra. Vou resgatá-lo. Você só se envolve com as pessoas erradas, é um fraco. Só eu que posso ajudá-lo. Não saia hoje. Vamos ficar juntos e ouvir a palavra.

Tem idéias esquisitas; precisa de luz. Ouve-me, espera. Não vire as costas pra mim. Não vá se encontrar com aquela pervertida. Não ABRA A PORTA...

Seu rosto está roxo: acorda! Vejo as marcas de dedos no seu pescoço... Não fui eu, foi o dito cujo!

Abra os olhos, o papai tá aqui. Alguém, me ajude! Ouço sirenes... preciso sair daqui.

(*) Eduardo Oliveira Freire é formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense, está cursando Pós Graduação em Jornalismo Cultural na Estácio de Sá e é aspirante a escritor